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Gestão em Saúde

Por: Carlos José Estevam Lioti

O clamor das ruas pedindo mais investimentos em saúde tem coerência e fundamento. Segundo especialistas da área, seria necessário o aporte de mais de R$ 80 bilhões nesse setor, somados aos R$ 72 bilhões que o governo federal investe anualmente, para a manutenção e expansão dos serviços de saúde em favor da população, posto como um dos grandes desafios do Sistema Único de Saúde – SUS.

No entanto, ainda que os investimentos em saúde sejam imprescindíveis, existem outras medidas tão importantes e necessárias quanto estas. Nesse sentido, seria fundamental para o SUS a consolidação de três pilares: a gestão eficiente dos recursos, a humanização no atendimento e a resolubilidade do sistema.

Se por um lado faltam recursos, por outro é preciso avaliar o grau de eficiência com que tais recursos são aplicados e daí a importância da formulação de novos modelos gerenciais capazes de deslocar a hegemonia do “modelo da oferta de serviços” para o “modelo das necessidades e direitos da população”. Um dos primeiros passos seria extirpar a corrupção que sangra do erário público recursos financeiros que poderiam ser aplicados na saúde.

Complementarmente, a adoção de outras ações poderia agregar valores ao sistema de saúde:
1. Melhorar o descritivo dos materiais e dos editais de licitação, possibilitando ao Estado adquirir produtos de qualidade pela melhor oferta;
2. Desenvolver sistemas de controle de materiais parametrizados que supram as unidades de saúde, com base na produção de cada uma;
3. Maior resolubilidade das unidades básicas de saúde, desafogando os hospitais que vivem com os pronto-socorros superlotados;
4. Humanizar o atendimento aos pacientes com o foco na pessoa e não somente na doença, melhoria das condições de trabalho e redução do tempo de espera;
5. Implantar o sistema de acolhimento e classificação de risco dos pacientes em toda rede, priorizando os atendimentos mais urgentes; 6.Implantar programas permanentes, periódicos e regionalizados para a qualificação de recursos humanos, buscando a valorização dos profissionais e o aumento na eficiência dos serviços;
7. Rever os critérios de seleção de pessoal que contemplem a avaliação de conhecimento, teste prático e prova de títulos, com ênfase na qualificação;
8. Contratar médicos remunerados por produção, aliado a um piso mínimo salarial, em substituição ao regime de carga horária ou plantões, como justa remuneração aos profissionais que mais produzem, aliado à qualidade dos serviços;
9. Repor automaticamente as vagas em aberto em decorrência de falecimentos, exonerações, transferências e aposentadorias, pois já estão contempladas no orçamento do Estado;
10. Implantar sistema integrado para a gestão dos atendimentos dos pacientes em toda a rede de saúde, evitando-se a duplicidade de exames de rádio-imagem e laboratoriais;
11. Implantar sistema unificado e centralizado para a gestão de leitos das unidades hospitalares, otimizando a capacidade de internação instalada na rede;
12. Consolidar o sistema de referência e contra-referência na área da saúde, buscando a eficiência dos recursos instalados e maior resolubilidade dos agravos de saúde;
13. Alocar recursos físicos, financeiros, humanos e materiais na rede pública de saúde de acordo com o perfil e capacidade de produção de cada unidade;
14. Implantar sistemas alternativos complementares à assistência hospitalar tradicional, como por exemplo, o serviço de hospital dia.

Obviamente não existem soluções mágicas para os inúmeros desafios de um sistema tão gigantesco, importante e complexo como o da saúde, mas com certeza é possível a adoção de ações complementares que, somadas, possam colaborar para uma gestão mais eficiente desse sistema.

Carlos José Estevam Lioti
Administrador, Mestre em Gestão de Serviços de Saúde pela UEL.