A Organização dos Serviços de Saúde em Londrina

Antigos e Novos Registros de uma Experiência em Processo

Resgate histórico do movimento de saúde no país Marcio Almeida era secretário de saúde de Londrina, em 1978, quando escreveu a dissertação de mestrado que apresentou no ano seguinte ao Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (IMS-UERJ).

Agora, trinta e cinco anos depois, o autor tira da gaveta um dos poucos documentos que resgatam o histórico da saúde coletiva no Brasil. E o transforma em livro, com o título A Organização dos Serviços de Saúde em Londrina: Antigos e Novos Registros de uma Experiência em Processo.

Com um texto claro, explicativo, a obra retrata o período histórico da década de 1970 - época da gênese do movimento de saúde que hoje existe no Brasil – e relata o pioneirismo de Londrina, ao lado de Campinas e Niterói, os municípios que primeiro deixaram de ser meros coadjuvantes para assumir papéis relevantes na assistência à população. Mas não fica só no passado.

Ao transformar a dissertação em livro, o autor foi além do trabalho acadêmico, apresentado em 1979 e aprovado com nota dez por uma Comissão Examinadora composta pelos Professores Nelson Rodrigues dos Santos (UNICAMP), Hugo Tomassini (ENSP) e Madel Therezinha Luz (USP).

Marcio acrescentou à obra acadêmica um posfácio no qual faz a ponte histórica com o presente. Além disso, revisita os momentos primordiais pelos quais passou o movimento de saúde brasileiro em todos esses anos.

“É um capítulo a mais, que registra o que houve de 1979 para cá, inclusive a crise do sistema de saúde de Londrina, um verdadeiro desmanche, que vivenciei como vereador durante alguns meses entre 2009 e 2012”.

O professor Nelson Rodrigues dos Santos, pioneiro da saúde coletiva em Londrina, ex-Secretário de Saúde de Campinas e do Estado de São Paulo, ex-Secretário Executivo do Conselho Nacional de Saúde e Hésio de Albuquerque Cordeiro, orientador do então mestrando nos anos 1970 e depois presidente do INAMPS e reitor da UERJ, assinam, respectivamente, a apresentação e o prefácio do livro.

O movimento de mudança na saúde existente no Brasil passou a ser mais visível a “partir da Constituinte de 1988. Mas, na verdade, começou a ser construído antes, nos anos 1970, quando algumas cidades, articuladas com universidades, tomaram iniciativas no sentido de instalar serviços de saúde em um novo modelo acadêmico e assistencial que não fosse só o ‘hospitalocêntrico’. Londrina foi uma dessas cidades, com experiências iniciais em três postos que serviam para treinamento de alunos da Universidade Estadual de Londrina”, recorda o autor.

Com um texto muito bem estruturado e embasado, inclusive com gráficos e tabelas, como é característica de uma dissertação, A Organização dos Serviços de Saúde em Londrina: Antigos e Novos Registros de uma Experiência em Processo, tem, ao mesmo tempo, linguagem prática e ágil em 226 páginas. A edição é do iNESCO - Instituto de Estudos em Saúde Coletiva, em co-edição com o CONASEMS - Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde e o CEPESC - Centro de Estudos e Pesquisa do Instituto de Medicina Social da UERJ.

Mais informações: marcioalmeida@gmail.com

Wilhan Santin - jornalista